quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Sem abrigo, mas com muita fé

WWW.OPUSDEI.PT              09.04.16
Jorge (34 anos, órfão) é um dos muitos jovens que a crise económica deixou na rua. A empresa de fabrico de móveis de cozinha em que trabalhava fechou e ficou sem salário. Passado pouco tempo já não podia pagar a renda do andar onde vivia e viu-se obrigado a recorrer à mendicidade.
Opus Dei - Sem abrigo mas com muita féO sítio onde o Jorge dormia até há pouco. 
Ao estar sozinho e não ter apoio familiar, optou por abandonar uma das grandes cidades-dormitório nos arredores de Madrid para ir para a capital. Primeiro foi dormir para debaixo das arcadas da Praça Maior, mas na primeira noite enquanto dormia roubaram-lhe o pouco que tinha (roupa, calçado, alimentos, etc.). No dia seguinte decidiu mudar de lugar e escolheu uma rua do Bairro de Salamanca, próxima de um Centro da Obra. A sua nova “moradia” passava a ser o pequeno espaço de uma entrada para o armazém de uma loja de moda de luxo. Todas as noites se metia com um saco de dormir dentro de uma caixa grande de cartão.
Passadas poucas horas de estabelecer a sua nova residência, o Jorge já começava a ser famoso no bairro. Muitas pessoas (empresários, pessoas reformadas, empregados de escritórios da zona) começaram a preocupar-se com a sua situação. O Jorge sorria-lhes, agradecia que o ouvissem e pedia-lhes algum dinheiro para poder imprimir o seu curriculum vitae laboral. “Se há alguma coisa que vejo com clareza, é que vou lutar por sair desta situação”, disse-me quando nos conhecemos.
JORGE SORRIA-LHES, AGRADECIA QUE O OUVISSEM E PEDIA-LHES ALGUM DINHEIRO PARA PODER IMPRIMIR O SEU CURRÍCULUM VITAE LABORAL
Justamente antes da Noite de Natal um grupo do Centro do Opus Dei de que eu fazia parte fomos visitá-lo e convidámo-lo para tomar o pequeno almoço num café próximo. Antes de nos acompanhar escondeu a sua mochila num contentor de lixo vazio para evitar novos roubos…
Uma vez sentados no café, apresentámo-nos e começou a contar-nos milhares de histórias. “Não ides acreditar, mas uma família convidou-me para ir a sua casa cear nesta Noite de Natal”, conta-nos com um sorriso de orelha a orelha. Também nos disse que as pessoas ficaram surpreendidas ao ver que “sou um tipo normal, que ando asseado (vou todas as manhãs tomar banho nuns balneários públicos), que não sou drogado, nem bebo, etc.”.
E prossegue. “Há pouco mais de um mês, uma pessoa propôs-me criarmos juntos uma empresa para limpar motos, outro ofereceu-me umas sapatilhas de desporto, uma senhora traz-me o pequeno-almoço e deixa-o em cima da caixa… realmente estou muito agradecido”.
O mais curioso é que o Jorge se converteu também num grande ouvinte. “Desde que cheguei ao bairro aproximam-se de mim muitas pessoas que me contam os seus problemas e procuro ajudá-las com o meu conselho, o meu ânimo, que não sei se é acertado mas é o que eu faria, vá”.
“Conhecem algum padre nas redondezas?”
Muito rapidamente passámos do humano para o divino com grande naturalidade. Contámos-lhe que frequentamos um Centro do Opus Dei e, depois de reconhecer que “lhe soava a algo, mas já investigarei” (risos), conta-nos que “embora seja batizado e tenha fé, há muito tempo que não faço nada e creio que vai sendo tempo”. Ficámos todos em silêncio. E deixámo-lo continuar, é claro. “Eu tive formação cristã, mas perdi muito tempo com tolices, e no fim fiquei sem ninguém… Gastava o dinheiro em bons relógios, vivia muito bem, na verdade. No fim, todos os amigos de então desapareceram”.
QUANDO JÁ QUASE NOS DESPEDÍAMOS DISSE-NOS QUE DO QUE REALMENTE NECESSITAVA ERA DE SE CONFESSAR E VOLTAR A COMEÇAR
Quando já quase nos despedíamos disse-nos que do que realmente necessitava era de se confessar e voltar a começar. “Conhecem algum padre aqui perto?” Nessa mesma semana, um de nós acompanhou-o a confessar-se depois de o ajudar a preparar-se. Ao sair da Igreja estava feliz e muito agradecido. Disse-lhe que tinha tirado um grande peso de cima e respondeu-me: “Tirei um peso de 25 anos”.
Depois do Natal continuava no mesmo sítio e com mais otimismo do que antes. Deixei-lhe uma pequena biografia de São Josemaría e, depois de a ler, disse-me: “este padre sim que teve que suportar verdadeiras contrariedades”. Estava impressionado com a vida do nosso Padre. A sorrir, acrescentou: “é claro que já me informei e disseram-me que o Opus Dei é uma coisa boa”.
DEIXEI-LHE UMA PEQUENA BIOGRAFIA DE SÃO JOSEMARÍA E, DEPOIS DE A LER, DISSE-ME: “ESTE PADRE SIM QUE TEVE QUE SUPORTAR VERDADEIRAS CONTRARIEDADES”
Só duas semanas mais tarde me disse que outra pessoa da Obra (um supranumerário que trabalha na zona) lhe tinha dito para enviar o curriculum a uma empresa para ver se o entrevistavam para preencher um lugar vago. “Não vais acreditar! Escolheram-me entre 50 candidatos e começo a trabalhar na próxima segunda-feira”. Trata-se de un trabalho noturno, bem remunerado, num grande armazém próximo de Alcalá de Henares.
Mas não queria abandonar o bairro sem se despedir e comunicou com os vizinhos e amigos que habitualmente ali paravam para lhes dar a notícia. Todos o abraçavam e felicitavam. Deixou um cartão com uma emotiva frase de agradecimento a todos os que o tinham ajudado.
“NÃO VAIS ACREDITAR! ESCOLHERAM-ME ENTRE 50 CANDIDATOS E COMEÇO A TRABALHAR NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA 
Uma semana depois combinámos ir tomar um café no “El Escondite”, que é como se chama um conhecido bar da rua onde vivo. No entanto, para o Jorge “el escondite” era precisamente o lugar onde dormia quando estava na rua. E para ali se dirigiu para se encontrar comigo. Ao vê-lo de novo, muitas pessoas se aproximaram dele outra vez, com preocupação, pensando que tinha perdido o posto de trabalho… E quando fui à sua procura e lhe expliquei que estava à espera dele no bar rimo-nos com a confusão.
Na nossa conversa desse dia disse-me que “logo que possa espero poder ajudar toda essa gente que agora está como eu, sem nada nem ninguém a quem recorrer”. Quer também continuar a crescer na sua vida cristã e começou a ir à Missa.
NA NOSSA CONVERSA DESSE DIA DISSE-ME QUE “LOGO QUE POSSA ESPERO PODER AJUDAR TODA ESSA GENTE QUE ESTÁ AGORA COMO EU, SEM NADA NEM NINGUÉM A QUEM RECORRER”
“Não poderei ir viver para um andar enquanto não receber o primeiro ordenado”
Não tinha ainda terminado esta história e, entretanto, conheci o Sergio (27 anos) a pedir à porta de uma conhecida igreja do mesmo bairro. Disse-me que era órfão. Os seus pais morreram num acidente de trânsito quando era pequeno. Num verão, no regresso de férias, ia incorporar-se na imobiliária onde trabalhava como chefe de equipa; caiu-lhe o mundo em cima quando viu que as oficinas da sua empresa estavam completamente encerradas. O porteiro disse-lhe que “levaram tudo e desapareceram”.
QUANDO FICOU SEM DINHEIRO, VIU-SE OBRIGADO A IR DORMIR PARA UNS JARDINS NUMA CONHECIDA PRAÇA DE MADRID. UNS AMIGOS QUE VIVEM PRÓXIMO EMPRESTAM-LHE O QUARTO DE BANHO PARA TOMAR UM DUCHE TODAS AS MANHÃS
Quando ficou sem dinheiro, viu-se obrigado a ir dormir para uns jardins numa conhecida praça de Madrid. Antes tinha estado a dormir em locais de caixas multibanco, etc., mas tinha sofrido ataques e vexames, pelo que decidiu mudar de zona. Uns amigos que vivem perto emprestam-lhe o quarto de banho para tomar um duche todas as manhãs. Graças aos roupeiros de caridade e à ajuda dos paroquianos que vão à missa “consegui um fundo de armário impressionante – diz a sorrir – embora muitas coisas não me interessem e vou devolvê-las”.
Uma tarde fui, acompanhado por um cooperador da Obra, lanchar com o Sergio. Sucederam-se as histórias da sua estadia na rua: “a verdade é que antes de estar na rua nunca tinha comido presunto de Guijuelo (NT: produto com Denominação de Origem Controlada); mas desde que estou à porta da igreja uma senhora traz-me uma sanduíche todos os dias com esse delicioso produto… Já lhe disse que pode trazer-me a sanduíche com queijo, que é mais barato… (rimo-nos)”. 
COMO O JORGE, O SERGIO QUER RECOMEÇAR A SUA VIDA CRISTÃ. CONTA-ME QUE DESDE QUE ESTÁ À PORTA DA IGREJA SE SENTE ACOMPANHADO PELA VIRGEM E NÃO VAI MUDAR DE SÍTIO
Mas a mendicidade também lhe trouxe maus momentos. “Um dia uma senhora cuspiu-me, disse-me que era um drogado como todos os jovens. Disse-lhe que isso não era verdade e que à frente dela faria uma prova com um produto que se vende nas farmácias, mas que se desse negativo ela pagaria o produto. Efetivamente ganhei a aposta”, comenta.
Depois de enviar centenas de curriculum, disse-me que passou em várias entrevistas e o acolheram numa empresa e está feliz. “O chefe disse-me que me vê um pouco cansado e perguntou-me se durmo bem! (risos). Logicamente não sabem nada mas não poderei ir viver para um andar enquanto não receber o primeiro ordenado”.
Tal como o Jorge, o Sérgio quer recomeçar a sua vida cristã. Conta-me que desde que está à porta da Igreja se sente acompanhado pela Virgem e não vai mudar de sítio. Já está a pensar no dia em que se possa casar pela Igreja com a sua noiva. Espero poder manter a amizade e poder aconselhá-los na preparação para esse grande dia. 

Os santos mártires da Coreia e a sua impactante lição

ALETEIA.PT      20.09.17

Igreja celebra no dia 20 de setembro os santos André Kim e seus 102 companheiros mártires da Coreia.
Sim, você leu certo: nada menos que 103 mártires, que foram canonizados por São João Paulo II em 1984, durante a sua viagem apostólica à Coreia do Sul.

A peculiar história da fé cristã na Coreia

Hoje estamos tristemente acostumados com a existência de duas Coreias, mas nem sempre foi assim. O país já foi um só. E, na sua história religiosa, a Coreia constitui uma interessantíssima peculiaridade quanto à “modalidade” de evangelização que recebeu: os primeiros missionários do país não eram membros do clero, mas sim leigos!
Enquanto a maior parte do Oriente começou a ser evangelizada por sacerdotes e religiosos enviados em missão pelas suas respectivas ordens, a Coreia viveu um processo diferente. No século XVII, membros da nobreza coreana entraram em contato com o catolicismo durante viagens à China e ao Japão. A fé já tinha criado raízes em ambos aqueles países. Com base no que tinham observado e aprendido sobre o catolicismo em livros escritos em chinês, aqueles nobres coreanos tentaram praticar essa mesma fé recém-descoberta ao retornarem à Coreia. Um deles, Yi Seung-hun, foi batizado em Pequim e voltou para casa em 1784 para fundar uma comunidade cristã. Este é o evento que marca o estabelecimento da Igreja católica na Coreia.
Mas o catolicismo não teve um começo fácil no país. O governo, influenciado pela ideologia do neoconfucionismo, se opôs à fé cristã. A crença católica de que todos os seres humanos possuem dignidade igual era vista como uma ameaça para o sistema hierárquico social. Além disso, era considerado crime ter contato com estrangeiros. Esta lei significava, portanto, que as comunicações entre os católicos coreanos e o vigário apostólico de Pequim eram nada menos que “criminosas”.
As consequências dessa hostilidade a Cristo são fáceis de imaginar – afinal, esse quadro se repete na história desde o próprio Cristo… Estima-se que cerca de 10.000 católicos foram martirizados na Coreia só durante aquela perseguição, que durou mais de 100 anos. Demorou até 1895 para que o país finalmente reconhecesse a liberdade de religião – e ela voltaria a ser suprimida brutalmente na atual Coreia do Norte assim que o regime comunista foi imposto ao sofrido povo daquela nação, persistindo essa realidade até hoje (e com um número de católicos assassinados que ainda não é possível conhecer ao certo).
Foi nesse contexto de perseguição e martírio que nasceu André.

Santo André Kim Tae-Gon

Santo André Kim Tae-Gon nasceu em Solmoe em 1821, de família nobre. Quando ainda era criança, sua família se mudou para Kolbaemasil a fim de fugir da perseguição. Seu pai, Santo Inácio Kim, foi martirizado em 1839.
André foi batizado aos 15 anos e, algum tempo depois, entrou no seminário de Macau, na China. Foi ordenado sacerdote em 1845 em Xangai, tornando-se o primeiro sacerdote católico nascido na Coreia.
Quando voltou à sua terra para tentar facilitar a entrada de missionários no país, reencontrou a mãe mendigando por comida.
Apesar do quadro de extrema adversidade, André se dedicou a difundir a fé cristã na Coreia pregando o Evangelho e batizando as pessoas que se convertiam por intermédio das suas palavras e do seu testemunho.
Por mais que fosse prudente visando não ser descoberto, André acabou preso quando tentou levar missionários franceses da China para a Coreia. Depois de alguns meses no cárcere, ele enfrentou a pena de morte por decapitação em 1846. Enquanto entregava a alma às mãos de Deus e partia rumo ao Seu abraço eterno, Santo André Kim Tae-Gon declarou:
“Minha vida imortal está no seu ponto inicial. Convertam-se ao cristianismo se desejarem a felicidade depois da morte”.
Com ele, os perseguidores ainda executaram outros 102 cristãos, também canonizados pela Igreja por terem morrido mártires em nome de Cristo.
E não são os únicos: em agosto de 2014, durante a sua viagem apostólica à Coreia do Sul, o Papa Francisco ainda beatificaria mais 124 mártires do país: o beato Paulo Yun Ji-chung e seus 123 companheiros.
A história insiste em não aprender que, desde os primórdios da Igreja, “o sangue dos mártires é semente de cristãos“.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Síndrome de Lisboa

MARIA JOÃO MARQUES     OBSERVADOR    20.09.17
O carro é um meio de transporte legítimo, os proprietários pagam impostos, pelo que têm direito a usá-lo quando assim lhes for mais confortável e conveniente, sem serem demonizados pelo edil lisboeta.
Por estes dias há nos psicólogos e psiquiatras lisboetas novos pacientes com sintomatologia peculiar. Uma buzina de carro fá-los reviver os momentos funestos e frequentes em que, guiando em Lisboa fora da hora de ponta, de repente entram numa rua onde ficaram armadilhados em trânsito parado durante três quartos de hora da sua vida. Durante a noite acordam com suores frios e pesadelos. Vêem-se trancados dentro do carro, numa fila que não termina, com os filhos a chorarem porque vão chegar atrasados às aulas e o relógio a informá-los que estão atrasados para a reunião e que vão perder o negócio.
Tal como há pessoas hipertensas e com problemas na dentição (por rangerem os dentes durante a noite) resultantes de Trump Derangement Syndrome, estou convicta que vai nascer um Lisbon Driver Syndrome: pessoas que perdem a alegria de viver e a capacidade para os atos simples da sua vida em consequência de serem expostos todos os dias à (des)organização do trânsito em Lisboa por Fernando Medina.
Proibições de virar à direita quando não há nenhum perigo ou inconveniente (milhentos exemplos). Labirintos de ruas mal assinalados, onde quem não conhece a zona fica às voltas durante meia hora ou faz alguma transgressão para regressar à sua vida e fugir ao rodopio eterno (o caso do bairro do Arco do Cego). Proibição de escapar às ruas principais (que retiraria trânsito delas e permitiria trajetos mais rápidos) por ruas laterais, agora apenas para residentes (como na zona da Avenida da República). Medina quer-nos a todos armadilhados nas mesmas vias. As voltas que dantes eram possíveis para tornear o trânsito tornaram-se inviáveis. Este ano até em julho e agosto, tradicionalmente desafogados, houve filas e transito frenético.
A EMEL transformou-se numa empresa extorsionária: até ao fim de semana inferniza e multa. Fiscalização de constrangimentos no trânsito como estacionamento em segunda fila durante horas de ponta? Nada. Os condutores existem para serem punidos com requintes de tortura medieval. O passo seguinte é permitir somente ópera tradicional chinesa nos sistemas de som dos automóveis.
Eu sei que faz parte de uma boa gestão camarária (e de sensata política ambiental) propiciar a substituição do uso do carro próprio. Também sei que o uso de carro é um meio de transporte legítimo, cujos proprietários pagam impostos, pelo que têm direito a usá-lo quando assim lhes for mais confortável e conveniente, sem serem demonizados pelo edil socialista. Em casa dos meus pais lembro-me de uma fotografia de Cantão em 1983: um mar de bicicletas na estrada à espera do semáforo verde. É este o mundo utópico de Fernando Medida.
Acresce a simpática realidade de não haver muitas alternativas (nem peço confortáveis) ao carro próprio. A minha freguesia, Estrela, tal como toda a zona ocidental de Lisboa, não tem metro. Metro que tem compulsivamente (quiçá outra síndrome patológica) elevadores e escadas rolantes avariadas – perfeito, portanto, para transportar filhos em carrinhos de bebé ou com mochilas pesadas ou demasiado pequenos para subir muitas escadas. Além dos tempos de espera e das carruagens. E não vamos apresentar com seriedade os autocarros como alternativa, pois não?
A única forma de locomoção respeitável para Fernando Medina é a bicicleta, para as quais construiu quilómetros de ciclovias – a esmagadora maioria vazias, se não contarmos os passeantes que as aproveitam para caminhar num piso mais regular que a malfadada calçada portuguesa.
Na verdade, as ciclovias são tão importantes para Medina que pretendem não só substituir os automobilistas como os que andam a pé por Lisboa. Dou um exemplo: no passeio ao lado da Gulbenkian três quartos da largura estão ocupados por uma larga ciclovia. Mas não se queixem: Medina foi simpático e deixou umas dezenas de centímetros junto ao muro da fundação para quem se desloca a pé. Claro que, em sendo mais alto que crianças, leva umas traulitadas na cabeça dos ramos das árvores que saem da Gulbenkian. Mas não vamos ser piegas, pois não?
Fora dos locais das obras destinadas ao caos e destruição no trânsito (o pior da Península Ibérica) e no estacionamento, com passeios demasiado largos que não serão devidamente mantidos (é muito caro) e separadores à prova de tanques de guerra, de tão altos, o cenário é diferente. Pavimento das ruas em mau estado e passeios esburacados e irregulares.
Por falar em obras, vejo-me obrigada a solidarizar-me com Fernando Medina. Esta mania de se escrutinar a atuação de detentores de cargos públicos vai ser a morte da democracia. Era o que faltava políticos, sobretudo de partidos que aumentam impostos sobre o património imobiliário, terem obrigações de transparência acrescidas face aos comuns mortais. Já nem se permite passar sem escrutínio boas compras imobiliárias de um político distraído a uma acionista de uma grande construtora, num segmento de mercado que não costuma desvalorizar e em pleno período de explosão dos preços das casas. Ou que depois da distração adjudique por ajuste direto à dita construtora uma obra que estava sinalizada há anos, que o LNEC não considerou urgente, tendo a urgência crescido como cogumelos apenas após parecer encomendado pela CML.
De facto, só gente ruim – eu, por exemplo, nos meus numerosos momentos de perfídia – torce o nariz à vitimização de Medina, dando esclarecimentos por favor, como se não fosse sua obrigação. Como se a seriedade não impusesse que revelasse o seu conflito de interesses com a Teixeira Duarte antes da adjudicação da obra do Miradouro de São Pedro de Alcântara. Preferiu fugir da reunião da CML onde antecipadamente sabia que esta iria ser discutida, prémio à construtora incluído.
Infernizar a vida aos lisboetas e patrocinar opacidade democrática – o programa perfeito para mais quatro anos em Lisboa.

Pontapés nos votos

MIGUEL ESTEVES CARDOSO                PÚBLICO                 19.09.17


Proibir os jogos de futebol nos dias em que há eleições é mais uma boa ideia para levar os portugueses à abstenção.

A campanha publicitária do abstencionismo começou com a noção que votar era um dever. Assim se percebeu que não era um prazer, que ninguém gosta de ir votar - mas temos de ir votar à mesma porque é nossa obrigação.

Como muitos portugueses gostam de futebol qual é a melhor maneira de tirar-lhes esse prazer? É transformar o domingo eleitoral numa sexta-feira santa à anos 50. O ideal seria um pacote de proibições que fizesse com que votar fosse a única actividade permitida naquele dia.

Infelizmente também almoçamos enquanto as urnas estão abertas: um desperdício. Porque não proibir as refeições no dia das eleições? Ou oferecer o almoço (ou o jantar) só a quem tivesse ido votar? Mais os transportes grátis, claro. E talvez um bom desconto nos impostos.

Porventura seria melhor haver mais transparência: pagarmos 100 euros por cada boletim de voto devidamente preenchido. Quem mesmo assim não votasse poderia incorrer numa pequena multa. Ou ser impedido de ir ver um jogo de futebol. O futebol seria apenas para cidadãos cumpridores. Os abstencionistas que ficassem com os desportos menores.

Agora falando a sério: é o descaramento da campanha que ofende. A resposta vai variando mas a pergunta condescendente é sempre a mesma: o que é que havemos de fazer com esta malta que não quer ir votar? Que mal fizemos nós a esta gente? Porque é que não nos querem eleger?

100 anos de Comunismo, 100 milhões de mortos

JOÃO CORTEZ             WWW.OINSURGENTE.ORG     20.09.17


A propósito do centenário da revolução socialista russa de Outubro de 1917 que se assinala brevemente, um título muito apropriado para a ocasião será: 
100 Anos, 100 Milhões de Mortos, como no cartaz abaixo exposto na Times Square em Nova Iorque.




Quem preferir a versão lírica do PCP, pode encontrá-la aqui.

O diploma do BE sobre mudança de sexo à lupa

FILIPE AVILLEZ     WWW.ACTUALIDADERELIGIOSA.BLOGSPOT.PT            20.09.17


Dei-me ao trabalho de ler os artigos do diploma do BE. Tem coisas hilariantes, tem coisas muito preocupantes. Há que saber o que nos querem impor.
Ainda nem o cadáver da discussão da eutanásia arrefeceu e já a esquerda progressista está em campo para nos impor outro ponto da sua agenda. Desta vez é a chamada “autodeterminação de género”. O nome diz muito. Faz tanto sentido como “autodeterminação de idade”, mas é o ponto a que chegámos.

Há três diplomas que, ao que parece, serão agora concentrados num só para depois ser votado. Não analisei os três, mas acabo de ler o do Bloco de Esquerda, que imagino ser o mais radical e quero agora comentar alguns dos pontos que me chamaram mais atenção.

Esclareço que não tenho formação em direito, mas tenho acompanhado estes debates noutros países há longos anos e é nessa qualidade que escrevo.

Artigo 2.º Entende-se por identidade de género a vivência interna e individual do género, tal como cada pessoa o sente, a qual pode ou não corresponder ao género atribuído à nascença

Duas coisas aqui a sublinhar. Primeiro o fantástico “tal como cada pessoa o sente” que diz tudo sobre o admirável homem novo que os progressistas querem criar. Nós somos o que sentimos. Que se lixe a ciência, que se lixe a biologia. Se eu me sinto cavalo, cavalo sou. Se me sinto preto, sou preto – estão-se a rir? Façam pesquisa por Rachel Dolezal. Se sinto que tenho 2,10 de altura, que seja! 

Em segundo lugar, talvez seja o termo técnico usado, mas o meu “género” não me foi atribuído à nascença… Já era meu antes de nascer. O meu número de BI foi-me atribuído, o meu número de Segurança Social também, tal como o número de sócio do Benfica. Mas o meu sexo foi determinado por aquela coisa maçadora que são os genes e a biologia. É algo que é meu mas que – cruel tirania – não depende da minha vontade.

Artigo 3.º 1- Todas as pessoas têm direito: (…)  c) A serem tratadas de acordo com a sua identidade e/ou expressão de género

É nestes pequenos detalhes que se encontram os maiores perigos. Pergunto: A serem tratadas por quem? Pelo Estado? Por toda a gente? O Bloco de Esquerda quer obrigar-me a tratar o meu amigo Zé por “ela” apesar de ele ser, biologicamente, um homem? Não basta alimentarem na mente do Zé a fantasia de que com um processo burocrático e uma mutilação médica ele pode “mudar de sexo”, querem-me obrigar a alinhar na brincadeira? Obrigado. Dispenso.

Artigo 4.º - 1 C Pode requerer a alteração do registo civil a pessoa que (…) c) Não se mostre interdita ou inabilitada por anomalia psíquica. 

Esta é excelente por duas razões. Primeiro, porque um homem sentir que é mulher quando a biologia indica o contrário deve ser dos casos mais claros de anomalia psíquica que existe. Tem um nome: Disforia de género. Não fui eu que inventei. 

A segunda razão está no ponto 3 deste mesmo artigo: Para aceder ao disposto no número 1, nenhuma pessoa poderá ser obrigada a submeter-se a qualquer tratamento farmacológico, procedimento médico ou exame psicológico que limite a sua autodeterminação de género.

Portanto reparem… Qualquer pessoa pode pedir alteração de sexo, desde que não se mostre inabilitada por anomalia psíquica, mas ao mesmo tempo é proibido submeter os requerentes a qualquer exame psicológico que limite a sua autodeterminação de género… Preciso mesmo de escrever mais alguma coisa sobre isto?

Artigo 5.º - Menores de dezasseis anos

Muito se tem falado sobre a situação de os menores de 16 anos poderem intentar judicialmente para ultrapassar a oposição dos pais. Mas o que mais me espanta neste artigo é que fala apenas de “menores de 16 anos”, não temos um limite inferior. Aplica-se a crianças com 5 ou 6 anos? Não há mesmo limite? Vale tudo?

Artigo 6.º - 2 - O requerimento é apresentado na Conservatória do Registo Civil e, nos casos previstos na alínea b), do n.º 1, do artigo 4.º, nos consulados respectivos, podendo, desde logo, ser solicitada a realização de novo assento (…) 5 - No novo assento de nascimento não poderá ser feita qualquer menção à alteração do registo

Ora aí está. Este ponto resume toda a mentalidade dos defensores destas medidas. A consagração desavergonhada da mentira! O que é um assento de nascimento? Um assento de nascimento diz, entre outras coisas, que nasceu um indivíduo de sexo masculino ou feminino. Mas o projecto do Bloco prevê a elaboração de um novo assento. Ou seja, não basta que a pessoa queira passar a ser conhecida como sendo do sexo oposto, não. É preciso falsear a história. Porque é disso que se trata. É um facto que naquele dia, naquele hospital, nasceu um indivíduo de um determinado sexo. Se hospital tivesse escrito na altura que tinha nascido um indivíduo do sexo oposto, isso seria mentira.

Mesmo que acreditássemos que uma cirurgia, tratamento hormonal, maquilhagem, um vestido e um processo burocrático pudessem transformar um homem numa mulher, isso não faria com que essa pessoa tivesse nascido mulher. Se tivesse nascido mulher, aliás, não seria preciso a cirurgia, as hormonas e o vestido. Mudar o assento de nascimento é, pura e simplesmente, uma mentira.

Artigo 9.º - 2 - As instituições públicas e privadas a quem estas notificações sejam apresentadas têm a obrigação de, a pedido do/a requerente e sem custos adicionais, emitir novos documentos e diplomas com o novo nome e sexo.

Que o BE queira envolver o Estado nesta fantasia, compreendemos. Mas não basta. As instituições privadas também têm de ser cooptadas. E de que documentos e diplomas estamos a falar? O Zé pode ir à sua paróquia pedir que lhe emitam uma certidão de baptismo a dizer que afinal quem foi baptizado ali, naquele dia, foi a Carolina? E se a instituição privada, ou o funcionário público já agora, recusar alinhar numa mentira? Qual é a pena? 

Artigo 11.º - 4 - Ninguém pode ser discriminado, penalizado ou ver rejeitado o acesso a qualquer bem ou serviço em razão da identidade e/ou expressão de género 5 - Serão adotadas as medidas necessárias que permitam, em qualquer situação que implique o alojamento ou a utilização de instalações públicas destinadas a um determinado género, o acesso ao equipamento que corresponda ao género autodeterminado da pessoa.

Novamente o mesmo problema. De que é que estamos a falar? Se eu aparecer no ginásio com uma peruca a dizer que me chamo Tina são obrigados a deixar-me usar o balneário feminino? Mas evitemos a ridicularização… Se eu acreditar verdadeiramente que sou uma mulher, apesar de biologicamente ser um homem e o ginásio me deixar usar o balneário feminino, isso é tudo muito bonito, porque está a respeitar a minha dignidade, segundo o Bloco – este artigo chama-se mesmo “Tratamento digno” – mas… E o direito à privacidade das mulheres que de facto são mulheres e que estão no balneário ao mesmo tempo? Não conta? 

Estou a ser rebuscado? Nos outros países onde este comboio já partiu a discussão é precisamente sobre casas de banho e balneários, incluindo em escolas. As escolas que forneceram casas de banho “neutras” para crianças “transgénero” são processadas. Não basta. É preciso deixar o Carlinhos usar a casa de banho das meninas e, no centro comercial, deixar o Zé usar a casa de banho das mulheres independentemente de lá estar a sua filha de seis anos.

Artigo 12.º - 2 - O Serviço Nacional de Saúde garante o acesso a intervenções cirúrgicas e/ou a tratamentos farmacológicos destinados a fazer corresponder o corpo com a identidade de género com o qual a pessoa se identifica, garantindo sempre o consentimento informado.

Portanto não basta usar dinheiro público para pagar abortos, agora os nossos hospitais servirão para financiar operações para mutilar corpos saudáveis e administrar fármacos para impedir o desenvolvimento natural dos sistemas reprodutores de pessoas saudáveis, entre outros.

Artigo 13.º Medidas contra o Generismo e a Transofobia

Todo este artigo é uma maravilha. Campanhas de sensibilização para funcionários públicos e para o público em geral para “desconstruir preconceitos” tão nocivos como a noção de que um homem é um homem e uma mulher é uma mulher. Vá lá que não falam em campos de reeducação…

É isto que nós temos amigos. Vai passar? Não sei. Mas ao menos não se deixem apanhar na curva. Muito mais há para escrever sobre este assunto, mas terá de ficar para artigos futuros.

Parlamento aprova por unanimidade voto de pesar por D. António Francisco dos Santos

RR ONLINE        20.09.19

Deputados manifestam “grande consternação” por morte “súbita e precoce” de um bispo que dedicava à sua diocese “toda a sua inteligência, sabedoria e generosidade”.

O parlamento aprovou esta quarta-feira por unanimidade um voto de pesar pela morte do bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, evocando o seu "sentido da solidariedade e a capacidade de se fazer ouvir junto dos jovens" e dos mais desfavorecidos.

"A Assembleia da República manifesta o pesar pelo desaparecimento de D. António Francisco dos Santos, transmitindo à sua família e à sua diocese o mais profundo pesar", lê-se no voto aprovado pelos deputados, que respeitaram um minuto de silêncio.
No voto aprovado, o parlamento assinala a "grande consternação" com que tomou conhecimento do falecimento do bispo do Porto, de forma "subida e precoce" num momento em que dedicava à sua diocese "toda a sua inteligência, sabedoria e generosidade".
"Sempre próximo das comunidades que servia, com uma alegria animada pela sua fé e humanismo, todos lhe reconhecem o sentido da solidariedade e a capacidade de se fazer ouvir junto dos mais jovens e dos sectores sociais mais desfavorecidos", expressaram os deputados.
D. António Francisco dos Santos, morreu na segunda-feira passada, dia 11, aos 69 anos, vítima de ataque cardíaco.
Nascido a 29 de agosto de 1948, em Cinfães, Viseu, D. António Francisco dos Santos era bispo de Aveiro quando, em Fevereiro de 2014, foi nomeado bispo do Porto pelo papa Francisco.
Foi nomeado bispo auxiliar de Braga em Dezembro de 2004 e, dois anos depois, foi indicado para bispo de Aveiro, diocese que serviu durante mais de sete anos.

"Lord, I need you " JMJ Rio de Janeiro

Na missa de corpo presente do Fernando Quintela cantou-se esta música que ele conheceu na Jornadas Mundiais da Juventude no Rio de Janeiro e que é uma preferida das Irmãs da Caridade com quem tinha uma relação muito próxima. 




Lord, I come, I confess
Bowing here I find my rest
Without You I fall apart
You're the One that guides my heart
Lord, I need You, oh, I need You
Every hour I need You
My one defense, my righteousness
Oh God, how I need You
Where sin runs deep Your grace is more
Where grace is found is where You are
And where You are, Lord, I am free
Holiness is Christ in me
Lord, I need You, oh, I need You
Every hour I need You
My one defense, my righteousness
Oh God, how I need You
To teach my song to rise to You
When temptation comes my way
When I cannot stand I'll fall on You
Jesus, You're my hope and stay

Lord, I need You, oh, I need You
Every hour I need You
My one defense, my righteousness
Oh God, how I need You


You're my one defense, my righteousness
Oh God, how I need You
My one defense, my righteousness
Oh God, how I need You

Sou mãe de um forcado. E agora?

MARTA CALADO       19.09.17


Sábado, 16 de Setembro
São 9 horas, levantei-me para ir trabalhar no C.Saúde da Lapa (sou enfermeira), quando dou de caras com o meu filho mais velho. 

- "Mãe, ontem a corrida correu mal o Fernando Quintela foi colhido, não resistiu e morreu".

- "O quê? Como? Morreu?!" A minha reação foi de horror e de escândalo... Podia ter sido o meu filho, pensei. Fui trabalhar e as lágrimas não paravam de me correr. Como é que é possível? Que faço agora? Obrigo-o a desistir? 

Como não tinha respostas para estas questões que me perseguiam entreguei-me ao trabalho até às seis da tarde juntamente com uma colega (com quem já não trabalhava há uns anos) e as duas cuidámos 44 doentes. Foi mesmo bom esse turno! Fico sempre a ganhar quando me coloco ao serviço dos que sofrem e vim bem mais calma para casa. Decidimos, eu e o meu marido, acompanhar o nosso filho nesta dor de ter perdido um amigo e não falar de mais nada.

Domingo, 17 de Setembro
Missa em Alcochete por alma do Fernando. Na homília ouvi qualquer coisa como,

- "O Fernando morreu a fazer o que gostava." - que neste caso era ser forcado mas podia ser outra coisa qualquer - no meio dos seus amigos com quem partilhava o gosto pelas touradas mas fez isto com a consciência do seu destino. E por isso trazia o escapulário ao peito, confessou-se na 5a feira antes e no próprio dia comungou. Parece que se preparou para ser levado, mas se não sabia que era naquele dia, porque o fez? Porque o amor por Jesus foi uma escolha na sua vida e ser forcado não o impedia de amar o seu destino mas antes levou-o a amar também o destino dos seus amigos do grupo de forcados. 

Via-se bem isso na cara dos que estavam na Missa. Afinal o Fernando deu a vida pelos seus amigos. Dizia um cavaleiro amigo do Fernando muito impressionado: " Bom miúdo, sério, muito amigo do seu grupo, e valente....deixou mesmo um marco nas nossas vidas". Por fim fui ter com o Cabo do grupo que deixou escapar o quanto a fé do Fernando e dos que viviam como ele, foi importante para que o grupo fosse o que é hoje e quanto tinha a apreender com eles. Digo-vos que aqui engoli um sapo. Nunca tinha pensado que as coisas poderiam ser assim, que estes forcados tocassem vidas num ambiente não muito propício - pensava eu - às coisas da fé. 


Segunda-feira, 18 de Setembro
Missa corpo presente no Monte da Caparica. Igreja cheia, a abarrotar. Quis entrar, precisava de ver e ouvir o que tinham para dizer. Fiquei no corredor central mesmo na direção do corpo do Fernando, vi-o e ajoelhei-me, não podia ter outra posição senão aquela. Eu também quero ser como este rapaz que mal conheci. Quero estar preparada todos os dias para este encontro derradeiro. Quero precisar d'Ele todos os dias da minha vida. O Fernando já cumpriu o seu destino agora é a nossa vez.

Só posso estar agradecida a Deus por me ter feito passar por tudo isto. Serviu para dar graças pelo Dom da vida e de que vou sempre a tempo de dar a Deus o primeiro lugar na minha vida.

Depois disto tudo aprendi a lição. É claro que não posso decidir sobre a vida do meu filho com 20 anos. Que seja livre e decida em consciência o que deve fazer. O destino dele não é meu... Cabe-me rezar por ele dar-lhe uns conselhos de mãe e aceitar que poderá ou não seguir. 

Peço a Deus que me ajude a amar cada um dos meus filhos e a dar-lhes só o que precisam para viver, sem a pretensão de querer decidir nada por eles. Que sejam adultos livres na fé. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Francisco dá novo impulso ao ‘Instituto João Paulo II' sobre Matrimonio e Familia

ZENIT   19.09.17

(ZENIT – Cidade do Vaticano, 19 Setembro 2017).- O Papa Francisco com uma Carta apostólica em forma de motu próprio, Summa familiae cura, decidiu potenciar o Instituto João Paulo II para os Estudos sobre o Matrimônio e Família, elevando-lo a ‘Instituto Pontificio’.
“No límpido propósito de permanecer fiéis ao ensinamento de Cristo, devemos portanto olhar, com intelecto de amor e com sábio realismo, para a realidade da família hoje em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras”, escreve Francisco na introdução.
“A mudança antropológica-cultural, que influencia hoje todos os aspetos da vida e exige uma abordagem analítica e diversificada, não permite que nos limitemos a práticas da pastoral e da missão que refletem formas e modelos do passado”, indica.
“No límpido propósito de permanecer fiéis ao ensinamento de Cristo, devemos portanto olhar, com intelecto de amor e com sábio realismo, para a realidade da família hoje em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras”.
O novo Instituto constituirá, no âmbito das instituições pontifícias, um centro acadêmico de referência, a serviço da missão da Igreja universal, no campo das ciências que dizem respeito ao matrimônio e à família e acerca dos temas relacionados com a fundamental aliança do homem e da mulher para o cuidado da geração e da criação.
O grande chanceler do Instituto, Mons. Vincenzo Paglia declarou que “nenhuma mudança de consultores ou professores universitários é contemplada”, embora “professores sejam convidados para novos cursos”. E indicou que foi instituído um ente“que pode gerenciar várias rotas flexíveis”. Neste caso, o ponto central de interesse, “é o diálogo entre a família e a Igreja”. 

Quando o teu coração bater mais forte

https://nihilsubsolenovum.wordpress.com

Carta a Pinóquio por Albino Luciani (Papa João Paulo I)


Caro Pinóquio:
Tinha sete anos, quando li pela primeira vez as tuas Aventuras. Não te sei dizer quanto me agradaram e quantas vezes depois as voltei a ler. É que em ti, garoto, me reconhecia a mim mesmo; no teu ambiente, o meu próprio ambiente.
Quantas vezes corrias através do bosque, pelos campos, na praia, pelas estradas! E contigo corriam a Raposa e o Gato, o cão Medoro, os rapazes da batalha dos livros. Pareciam as minhas corridas, os meus companheiros, as estradas e os campos em minha aldeia.
Ias ver as grandes carruagens que chegavam à praça; também eu. Aninhavas-te, torcias a boca, metias a cabeça debaixo dos cobertores antes de tomar o remédio amargo; também eu. A fatia de pão com manteiga dos dois lados; o rebuçado com licor dentro; a “bolinha de açúcar” e, em certas ocasiões, mesmo um ovo, uma pera, até as cascas da pera, representavam uma “meta” radiosa para ti, guloso e cheio de fome; o mesmo sucedia comigo.
Também eu, indo e voltando da escola, vinha envolvido em “batalhas”; à base de bolas de neve na estação invernosa; à base de “caneladas” e coisas semelhantes em todas as estações do ano; “encaixava” um tanto, dava outro tanto, procurando igualar as receitas e as despesas e não choramingar depois em casa, que, se me queixasse, me teriam talvez dado o “resto”!
Agora tu voltaste. Não falaste mais de dentro das páginas do livro, mas na tela da televisão; permaneceste, contudo, o garoto de então.
Eu, pelo contrário, envelheci; encontro-me já, se é lícito falar assim, do outro lado da barricada; já não me reconheço em ti, mas nos teus conselheiros; o pai Gepeto, o Grilo Falante, o Melro, o Papagaio, o Pirilampo, o Caranguejo, a Marmotinha.
Eles tentaram – sem resultado, tirando o caso do Atum – dar-te conselhos para a tua vida de criança.
Eu tento dar-tos para o teu futuro de rapaz e de jovem. Mas olha, não tentes sequer atirar-me o martelo de costume; não estou disposto a ter o mesmo fim do pobre Grilo Falante.
Notaste que não enumerei, entre os “conselheiros”, a Fada? Não me agrada o seu sistema. Perseguido pelos assassinos, tu bates desesperado à porta da sua casa; ela aparece à janela, rosto branco como uma imagem de cera, não te abre a porta e deixa que te enforquem.
É verdade que te liberta mais tarde dos carvalhos, mas depois prega-te a peça de fazer entrar no teu quarto de doente, aqueles quatro coelhos negros como alcatrão, que levam às costas um pequeno caixão.
Não chega. Fugido por milagre do assador do Pescador verde, tu voltas para casa paralisado, que é noite escura e chove à cântaros. A Fada faz-te encontrar a porta fechada e, depois de todo o teu desesperado bater, envia-te o Caracol, que gasta nove horas a descer do quarto andar  e a levar-te – meio morto de fome – um pão de gesso, um frango de cartão, e quatro damascos de alabastro pintados ao natural.
Pois bem, não se procede assim com os rapazes que erram, especialmente se estão chegando ou já chegaram à idade chamada preciosa ou, que é o mesmo, idade difícil, que vai dos 13 aos 16 anos, e que será daqui por diante a tua idade, Pinóquio.
Experimentá-la-ás: idade difícil, quer para ti, quer para os teus educadores. Como já não és garoto, desdenharás, de fato, a companhia, as leituras, os jogos dos pequenos; como ainda não és homem, sentir-te-ás incompreendido e quase repelido pelos adultos.
A braços com a fadiga do crescimento físico rápido, parecer-te-á que te encontras imprevistamente em cima de pernas quilométricas, braços de Briareo e voz estranhamente mudada e inaudita.
Sentirás, prepotente, a necessidade de afirmar o teu eu; por um lado encontrar-te-ás em oposição com o ambiente da família e da escola; e por outro lado entrarás a todo vapor na solidariedade das “tribos”. Por um lado, exiges independência da família; por outro, tens fome e sede de ser aceito pelas pessoas da tua idade e de depender deles.
Quanto medo de ser diferente dos outros! Para onde vai o bando, tu queres ir. Onde o bando pára, tu queres parar. As brincadeiras, a linguagem, os passatempos dos outros, faze-os teus. Aquilo que eles vestem, tu vestes; Num mês, todos os rapazes vão de camiseta e jeans; no mês seguinte, todos usam blusões, calças coloridas, sapatos pretos com atacadores brancos. Em certas coisas, inconformistas; noutras coisas, sem sequer vos dardes conta, conformistas a cem por cento.
E de humor mutável! Hoje, sereno e dócil como eras aos dez anos; amanhã, decidido a tornar-te ator de teatro. Hoje, audaz e despreocupado; amanhã tímido e quase ansioso. Quanta paciência, indulgência, amor e compreensão deverá ter contido o pai Gepeto!
Mas há mais: Tornar-te-ás introspectivo, começarás portanto a olhar dentro de ti mesmo, e descobrirás coisas novas; despertará em ti a melancolia, a necessidade de sonhar de olhos abertos, o sentimento e também o sentimentalismo. Pode acontecer que, já no oitavo ou nono ano de escolaridade, tu sintas o coração bater mais forte, como aconteceu com o jovem David Copperfield, que diz: “Eu adoro Miss Shepherd. É uma menina com um casaquinho curto, um rosto redondo e cabelos encaracolados: na igreja não posso olhar para o meu livro, porque tenho que olhar para Miss Shepherd; coloco Miss Shepherd entre os membros da família real… no meu quarto sou ás vezes levado à exclamar: Oh Miss Shepherd…!” Quereria saber porque ofereço secretamente à Miss Shepherd doze nozes do Brasil? Não são um símbolo de afeto, e no entanto, parece-me que ficam bem com Miss Shepherd. Ofereço também à Miss Shepherd biscoitos moles e insípidos; e inúmeras laranjas… Miss Shepherd é a única visão que pova a minha vida. Como é que aconteceu, após algumas semanas, que eu rompa com ela? Murmura-se que ela prefira o senhorito Jones.. um dia Shepherd faz uma careta ao passar-me ao lado e ri para a colega. Tudo acabou. A devoção de uma vida inteira desapareceu. Miss Shepherd sai das funções religiosas da manhã de domingo, e a família real já não a reconhece!”
Sucedeu à Copperfield, sucede à todos, sucederá também a ti, Pinóquio!
Mas como te assisitirão os “conselheiros”?
Para o fenômeno “crescimento”, o teu novo Grilo Falante deveria ser o velho Vitorino Feltre, um pedagogo que tanto amou os rapazes da tua idade e deu, na educação, enorme importância aos exercícios feitos ao ar livre.
A equitação, a natação, o salto, a esgrima, a caça, a pesca, a corrida, o tiro ao arco, o canto. Ele pretendia – também com estes meios – criar o clima sereno da sua “casa alegre” e dar uma saída útil à exuberância física dos seus jovens alunos. Ele teria dito de boa vontade, como mais tarde disse Parini:
“O que não pode uma alma ousada, se nos teus membros fortes tem vida?”
O teu amigo Atum, depois que no seu dorso te levou são e salvo até a praia, logo que saíste do ventre do tubarão, poder-te-ia ajudar – pacato e persuasivo como é – na próxima crise para a auto-afirmação de que acima falava.
Hoje o vosso sonho de jovens, não é apenas o automóvel; vós sonhais com todo um parque de estacionamento de auto morais: auto-escolha, auto-decisão, auto-governo, autonomia; recentemente, alguns rapazes tentaram até em Bolzano, uma auto-escola com condução própria!
“É justo – dizia na sua pacatez o sábio Atum – chegar à auto-decisão. Mas pouco a pouco; por degrauzinhos. Não se pode passar bruscamente da obediência total de criança à plena autonomia de adulto. Nem se pode empregar hoje, em tudo, o método forte que se usava antes. À medida que cresceres em idade, Pinóquio, crescerá em ti o desejo de autonomia. Pois bem, faz que cresça – com a ajuda externa de bons educadores – a consciência justa dos teus direitos e deveres; cresça o sentido de responsabilidade para usares bem a tão desejada autonomia.
Vê como, há mais de um século, eram educados os irmãos Visconti-Venosta, um, Giovanni, literato, e o outro, Emílio, homem político do nosso Ressurgimento: “Um dos modos de educar do meu pai era o de estar com os seus filhos o mais possível, de exigir de nós uma confiança ilimitada, dando-nos também muita, e de considerar-nos como pessoas um pouco maiores que a nossa idade; assim inspirava em nós o sentimento da responsabilidade e do dever. Éramos tratados como pequenos homens, o que nos lisonjeava bastante; por isso, era grande o nosso empenho em nos mantermos àquele nível.”
Na viagem para a autonomia, como quase todos os jovens pelos 17-20 anos, chocarás também tu, talvez, meu caro Pinóquio, contra uma dura escolha: o problema da fé.
Respirarás, de fato, objeções anti-religiosas, como se respira o ar, na escola, na indústria, no cinema, etc. Se tua fé é um monte de bom trigo, aí estará todo um exército de ratos a tomá-lo de assalto. Se é uma roupa, cem mãos tentarão rasgar-to. Se é uma casa, a picareta querê-la-á desmantelar. pedra a pedra. Será necessário defender-se; hoje da fé, apenas se conserva o que se defende.
Para muitas objeções há uma resposta convincente. Para outras, ainda não foi encontrada uma resposta completa. Que fazer? Não jogue fora a fé! “Dez mil dificuldades – dizia Newman – não formam ainda uma dúvida.”
E tem presente duas coisas. Primeira: Deve ter-se estima por qualquer certeza, ainda que não seja aquela certeza matemática evindentíssima.
Que tenham existido Napoleão, César, Carlos Magno, não é certo como 2+2 = 4, mas é certo como uma certeza humana, histórica. Do mesmo modo é certo ter existido Cristo, que os apóstolos o tenham visto morto e depois ressuscitado.
Segunda: Ao homem é necessário o sentido do mistério. De nada nós sabemos tudo, dizia Pascal. Sei muitas coisas a meu respeito, mas não tudo; não sei, precisamente, o que é a minha vida, a minha inteligência, o grau da minha saúde, etc; como posso pretender compreender e saber tudo de Deus?
As objeções mais frequentes senti-las-ás a respeito da igreja. Talvez te possa ajudar uma anedota referida por Pitigrilli. Em Londres, no Hyde Park, um pregador fala ao ar livre, mas é interrompido de vez em quando por um indivíduo mal penteado e sujo. – Há dois mil anos que existe a igreja – afirma a certa altura o indivíduo – e o mundo está ainda cheio de ladrões, de adultério, de assassinos! – Tens razão – respondeu o pregador – há dois milhões de séculos que há água no mundo, e vede em que estado está o vosso pescoço!
Por outras palavras: houve (e ainda há) maus papas, maus padres, maus católicos, (maus evangélicos, maus pastores, maus crentes, maus cristãos). Mas isto o que significa? Que foi aplicado o evangelho? Não; que pelo contrário, naqueles casos, o evangelho NÃO foi aplicado!
Meu Pinóquio, acerca dos jovens existem duas frases famosas. Recomendo-te a primeira, de Lacordaire: “Tenha uma opinão e a faça valer!” A segunda é de Clemenceau e não te recomendo de modo nenhum: “Não tenha idéias, mas defenda-as com ardor!”
Posso voltar a David Copperfield? A recordação de Miss Shepherd está longe dele há já alguns anos, e ele, já com 17 anos, enamora-se de novo; desta vez, adora a senhorita Larkins. Sente-se feliz ainda que só lhe possa fazer uma reverência durante o dia. Não sente conforto se não vestir as melhores roupas, ou se não andar com os sapatos lustrados. Sonha: “Oh, se amanhã pela manhã o pai Larkins chegasse e me dissesse: A minha filha disse-me tudo. Aqui estão vinte mil libras. Sede felizes!” Sonha com a sua tia que se enternece e bendiz o seu casamento. Mas enquanto ele sonha, a Larkins desposa um cultivador de lúpulo.
Lá ficou David, destroçado durante duas semanas; tira o anel, veste as piores roupas, não usa mais o gel, não engraxa mais os sapatos!
Mais tarde é o relâmpago de entusiasmo com Dora: “Era um ser sobre-humano para mim. Era uma fada, uma sílfide… não sei o que era… tudo aquilo que ninguém jamais viu… fui engolido num abismo de amor num instante apenas.. precipitado, de mergulho,  antes de ter conseguido dizer uma palavra!”
São situações transparentes; através delas, entrevêem-se os problemas do amor e do namoro, para os quais será também necessário que te prepares, caro Pinóquio.
Neste assunto, alguns propõem hoje uma moral largamente permissiva. Embora admitindo que no passado se foi demasiado rígido em certos pontos, os jovens não devem aceitar aquela permissividade; o seu amor deve ser com A maíusculo, belo como uma flor, precioso como uma pérola, e não vulgar como o fundo de um copo.
É oportuno que aceitem impor a si mesmos alguns sacrifícios, e manter-se afastados de pessoas, lugares e divertimentos que são ocasiões de mal para eles. “Não tendes confiança em mim!” dizes tu: “Sim, temos confiança, mas não é desconfiança recordar que todos estamos expostos a tentações; e é amor tirar do teu caminho pelo menos as tentações desnecessárias!
Olha os automobilistas: encontram o guarda, o semáforo, os traços contínuos, o sentido proibido, a interdição de estacionar, tudo coisas que parecem, à primeira vista, aborrecimentos e limitações contra o automobilista; e, pelo contrário, são a favor do automobilista, porque o ajudam a guiar com mais segurança e prazer!”
E se um dia tiveres uma namorada – seja ela Shepherd, Larkins ou Dora – respeita-a! Defende-a contra ti mesmo! Pretendes que ela se guarde intacta para ti? É justo, mas tu faz outro tanto por ela e não ligues a certos amigos, que contam as suas “proezas”, envaidecendo-se e acreditando que são “brilhantes” pelas suas aventuras com mulheres. “Brilhante” e forte é o homem que sabe conquistar-se a si mesmo e se insere na fileira dos jovens, que são a aristocracia das almas. Enquanto se é namorado, o amor deve procurar, não tanto o prazer sensual, quanto a alegria espiritual e sensível, porque manifestada de forma afetuosa, sim,  mas correta e digna.
Conselhos paralelos são dirigidos à outra parte, suposto que ela saiba suportar “prédicas”.
“Cara Dora (ou senhorita Larkins, ou Sheperd) – diz-lhe sua mãe- deixa-me recordar-te uma lei biológica. As moças, habitualmente, têm no que diz respeito ao sexo, maior domínio sobre si relativamente aos rapazes (hoje em dia não sei mais se isso se aplica…). Se o homem é fisicamente mais forte, a mulher é espiritualmente: parece até que Deus tenha decidido fazer depender a bondade dos homens da bondade das mulheres; amanhã dependerão um pouco de ti a alma do marido  e dos filhos; hoje a dos teus amigos e do teu namorado. Deves portanto ter bom senso por dois e saber, em certas coisas, dizer não, ainda que tudo pareça convidar a dizer sim. O próprio namorado, se for bom, nos seus melhores momentos, ser-lhe-á grato e dirá a si mesmo: “A minha Dora tinha razão: ela tem uma consciência e obedece-lhe; amanhã ser-me-á fiel!” Uma namorada muito fácil, pelo contrário, não dá a mesma garantia, e corre o risco de lançar, desde já, com uma concordância demasiado despreocupada, sementes perigosas, de onde nascerão no futuro ciúmes  e suspeitas por parte do marido” (e a recíproca é verdadeira em relação aos homens “fáceis”…).
Aqui concluo, Pinóquio, mas não me digas agora que não era ocasião de falar de Dora. Quando criança, tivestes a Fada, primeiro como irmã e depois mãe. Adolescente e jovem, uma Fada ao teu lado, não pode ser senão uma namorada e uma esposa.
A não ser que te fizesses frade!
Mas não vejo em ti tal vocação!

Albino Luciani – junho de 1972, texto original publicado no livro “Ilustríssimos amigos”. (e aqui, aparecendo com adaptações “modernas”)

A verdadeira tragédia

POVO  19.09.17


"O que aconteceu não é uma tragédia, a verdadeira tragédia é dizer: isto é tudo."

Pe. Pedro Quintela
na missa de velório do seu sobrinho Fernando Quintela



Foram hoje as exéquias do Fernando Quintela.

Uma das memórias mais recentes que tenho dele, foi de o termos encontrado num grupo de jovens numa edição do Curso para Namorados da Paróquia de S. Pedro de Alcântara, onde fomos dar o nosso testemunho.
 
Mal nos viu chegar, fez-nos um acolhimento muito simpático dizendo - "Isto hoje vai ser bom!"

Mais do que simpático, o seu acolhimento mudou, para mim, o sentido da utilidade de ali estarmos, e daquilo que podíamos contar. Porque aquilo que temos a contar envolve inevitavelmente algumas provações, a sua expectativa positiva renovou a nossa responsabilidade de encontrar a alegria naquilo que vivemos, para a poder partilhar. 

O Fernando tinha em vista O Tudo, e assim tornou-O de novo evidente a nós. 
Isto é ser cristão.


O Curso para Namorados segundo a Antropologia de S. João Paulo II tem inscrições abertas para a sua III Edição a decorrer nos meses de Out. e Nov. 
Inscrições e outras informações AQUI.